Isto é uma cópia de um documento word com cerca de dois anos. Durante imenso tempo pensei seriamente no que iria fazer com ele.
Hoje, optei por deixá-lo aqui no meu blog, e talvez no futuro uma cópia em pdf no meu site.
Informática, a disciplina infernal num certo local...
No ano lectivo 2002/2003 a instituição de ensino superior onde eu trabalhava abriu um novo curso. O chefe do meu departamento propôs-me que eu desse a esse curso as aulas de uma disciplina básica de introdução à informática.
“É uma cadeira simples, parecida a uma que já deste e não te vai fazer perder muito tempo, para poderes dedicar-te às PAPCC”.
Acreditando nisso, aceitei essa cadeira, embora, obviamente preferisse dar cadeiras de Matemática, pois, afinal de contas é a minha área!
No entanto, quando me foi dado o meu horário para o 1º semestre notei que iria dar a mesma cadeira para dois cursos diferentes, e que cada um dos cursos tinha uma carga horária diferente (!). A primeira coisa que fiz foi tentar contactar o responsável pela cadeira, que estava indisponível.
Ao fim de algum tempo, fui directamente ao gabinete do chefe de departamento e expus-lhe a situação. Então ele diz-me que foi o departamento de um dos cursos que reduziu a carga horária da minha disciplina, unilateralmente, mas que naquela “cadeira básica não iria fazer diferença”.
Depois, fui contactado por um outro docente do departamento, que me disse que como o outro curso tinha recebido cerca de 60 alunos, que a turma iria ser dividida em duas: uma que estaria a meu cargo e outra que estaria a cargo de uma colega de outro departamento, que como eu tinha as PAPCC para fazer. Mais ainda, que iria orientar-nos na preparação das aulas, visto que o responsável pela cadeira era uma pessoa muito ocupada (!).
Quando vi o programa da disciplina, notei que afinal não era assim tão semelhante ao da cadeira que eu tinha leccionado anteriormente.
Todos os semestres, como os meus colegas que leccionavam cadeiras de informática teria de apresentar uma lista de software necessário ao bom funcionamento das aulas, o que fiz normalmente.
Depois da aula de apresentação, visitei o laboratório onde iriam decorrer as aulas práticas. Liguei um PC e investiguei nesse PC em que condições iria trabalhar.
Com base nessa avaliação, preparei as primeiras aulas de informática.
Logo na primeira aula prática deparei-me com uma situação anormal: alguns PC’s tinham o disco rígido cheio, impedindo que os alunos conseguissem trabalhar com eles, e só alguém com direitos de administrador poderia resolver esse problema! Mais ainda: Todos os PC's estavam em condições bem diferentes: Sistemas operativos, versões de software e mesmo idiomas diferentes! - E isto logo no princípio do ano lectivo! Apresentei o caso ao docente que nos estava a orientar a preparação das aulas que por sua vez o fez chegar aos responsáveis pela manutenção do laboratório.
(Obs: não disse que o problema ficou resolvido, porque de facto não ficou)
Por essa altura foi-nos dito que o responsável pela cadeira iria finalmente fazer alguma coisa: ia ser ele a lançar as notas!
No decorrer do semestre, como semanalmente tinha sempre problemas com quele laboratório passei a contactar directamente com os responsáveis.
Só a título exemplo, na aula onde devia leccionar o funcionamento de um cliente de email, notei que nenhum PC tinha o cliente correctamente instalado, ao ponto de ninguém o conseguir abrir. Em vez de deixar a aula por dar, como costumavam fazer alguns colegas, adaptei-me e recorri a um serviço gratuito de email na web, mas dias depois acabei por ter de repetir a aula como deve ser.
No fim do primeiro semestre, segundo o programa que tinha, devia trabalhar com um scannernas aulas. Note-se que durante os dois anos lectivos em que leccionei a cadeira, nunca consegui pô-lo a funcionar…simplesmente porque nunca houve um PC bem configurado. (RAIOS! ATÉ EU SABIA FAZER ISSO!) e mais uma vez adaptei-me.
No segundo semestre os problemas agravaram-se de tal forma que no dia da última avaliação (ou seja, no final do ano lectivo) só tinha cinco computadores funcionais.
Nesse dia decidi que já era demais (passei-me!), e escrevi um email, com cópia para todas as pessoas com quem tinha comentado a situação, todas as pessoas que recorriam ao laboratório, responsáveis por cadeiras que recorriam aos laboratórios, e chefe de departamento, onde apresentei os problemas que a sala tinha naquela altura e onde deixei bem claro que naquelas condições recusava voltar a dar aquelas cadeiras, e qualquer outra que utilizasse laboratórios de Informática.
Como resposta, o chefe de departamento pede desculpa ao responsável pela manutenção das salas e dá-me um sermão por email, com cópia para toda a gente.
Foi nesse dia que decidi não apresentar PAPCC, sou uma pessoa e não um boneco!
Em Agosto, quando me preparava para tirar férias, um aluno telefonou-me para casa e disse-me que as notas do primeiro semestre não tinham sido lançadas, e que tinham-lhe dado o meu número de telefone, como se EU fosse o responsável por isso. (Adivinhem quem foi que não lançou as notas...)
No ano lectivo seguinte atribuíram-me as mesmas cadeiras de informática, mas alteraram os cursos e voltaram a reduzir a carga horária.
Ao meu ex-chefe de departamento, deixo estas questões:·
- Como é que se dá uma cadeira prática preparada para 4 horas semanais em metade do tempo?
- Porque é que a mesma cadeira em 3 cursos diferentes tem 3 cargas horárias diferentes?(Parece-me grave, mas quem sou eu para contestar? Sou apenas o tipo que teve de dar as cadeiras e fui acusado de não dar matéria "porque não quis", numa altura em que uma companhia de autocarros decidiu alterar percursos)
Se não acredita em mim, investigue TUDO o que está aqui escrito, porque sinceramente, acho que muita gente me deve um pedido de desculpas.
Obs: Quem quiser nomes que me envie um email.
Quem foi que esteve a menosprezar a instituição e a cadeira?
E que fez o responsável da cadeira, pessoa por quem alguns têm muita consideração, por essa cadeira?
Trabalhar em Informática? Nunca mais!
Afinal de contas, tirei um curso de Matemática...
