A pergunta que me faço há meses
O que é que eu vou fazer com o mestrado?
Dentro de dois anos na melhor das hipóteses estou literalmente sem cheta - por favor não me perguntem quais são os outros cenários.
Bem vindo a um dos meus cantinhos pessoais de disparates! Este blog descreve as tentativas até agora infrutíferas de reencontrar uma identidade que me foi roubada pelo destino. Este é o blog de Carlos Paulo A. Freitas
Um dia, após quase dois anos de “exílio”(...), ao passar na página web do IST vi que estavam abertas as inscrições para os mestrados.
Fiquei a pensar no assunto. Qualquer que fosse o mestrado que eu quisesse tirar, teria de ser afastado da Madeira. Não me parece que o trauma UMa, passe tão cedo.
O IST tinha um problema: era muito caro para as minhas possibilidades. Tinha outra hipótese: A FCUL!
Matrizes Polinomiais ( Esta era aquela que me interessava mais...)
E nem falo do seminário...
E assim foi... geograficamente bem colocado, as condições não eram as melhores, mas por aquele preço (175€) não me podia queixar, além do facto de que foi o único sítio que apareceu...
As primeiras duas semanas até foram agradáveis.
Depois, fiz uma visita rápida à Madeira para assistir ao casamento da minha irmã e quando voltei, percebi que já não estava no paraíso... alguem tinha feito desaparecer
o que eu tinha no frigorífico...
Os problemas foram acumulando e neste mesmo blog pus um aviso à procura de casa, e fiz o mesmo em vários outros sítios da net. Ao mesmo tempo ia procurando em jornais, e noutros sítios... mas a minha pouca sorte era sempre a mesma: “cheio”...
“só para raparigas”...
Em Dezembro, no dia do meu aniversário... fui ver uma casa em Benfica. Não aceitei logo. Estava seriamente a pensar em desistir do mestrado. Eu não tinha conseguido estudar nada ao
longo do semestre, tinha faltado a muitas aulas... essencialmente por não conseguir dormir, e com isso veio a falta de concentração.
Por altura do Natal uma das minhas irmãs e o meu cunhado passam lá por casa e decidem levar-me a uma feira.
Num daqueles acidentes que só me acontecem a mim, um choque com um carrinho de choque deixou-me cheio de dores durante duas semanas. Foram duas semanas em que mal me mexia, mas deu para ir lendo os apontamentos de EDOAs. Claro que não escrevia nada.Comecei por tentar contactar a Patrícia, a minha colega de mestrado em Análise. Propus que estudássemos a única cadeira que tínhamos em comum em conjunto (PEP). O que eu
tinha em mente nunca se realizou porque a avaliação contínua daquela cadeira era anedoticamente monstruosa... pelo menos para mim que não satisfazia os pré-requisitos da
cadeira e fazia questão de perceber minimamente o que estava a fazer.
Todos os dias acordava pelas 6 da manhã com um autocarro que passa em frente à porta de casa. Pegava um livro de uma das cadeiras e tentava perceber que bases me faltavam e
tentava arranjá-las.
Inicialmente escrevi alguns apontamentos de Mecânica dos Meios contínuos em LaTeX, passava o caderno de Matrizes Polinomiais a limpo, junto com algumas observações.
Criei uma máquina virtual VMware que imitava satisfatoriamente os computadores do laboratório de Análise Numérica do Complexo Interdisciplinar e dava-me condições para fazer os trabalhos práticos de ANED em qualquer sítio.
E ainda pedi à Patrícia um caderno de EDPs. Que acabei por digitalizar e converter em PDF para manter as cores dos sublinhados e outras observações (foi-me muito mais útil do que ela algum dia possa imaginar...).
Nas mini-férias da Páscoa despachei quatro trabalhos de ANED . Deixei um em stand by. Precisava de fazer revisões de algo que nunca tive na vida...mas já tinha lido algures.Na terça ou quarta-feira depois da Páscoa, quando íamos almoçar... comecei a sentir tonturas bem fortes que me impediram de continuar. Voltei para trás. Sentei-me. Só me passava pela cabeça que se algum médico visse o meu historial, que eu ia ser sujeito a análises... e uma tortura
no mínimo igual à que já tinha passado algumas vezes na Madeira.
Na 5ª e na 6ª tive de faltar às aulas. Sempre que me levantava da cama as tonturas voltavam. Pedi a opinião de duas enfermeiras(as minhas irmãs) e um farmacêutico. E como as opiniões coincidiam, trouxe uma caixa de medicamentos e uma de vitaminas. Na segunda-feira seguinte
devia estar melhor.
Na 3ª não estava nada melhor. Acabei por visitar o Santa Maria e estava pronto para mais uma demorada tortura quando ... percebi que aqui não tinham o meu historial! Fixe! A médica
analisou-me e dados os meus sintomas e a minha medicação, estranhou eu ainda não estar em condições, e receitou-me um antibiótico de largo espectro. Andei à procura dele em algumas farmácias... e não o encontrei. :S (qual é a probabilidade?). Ao chegar a casa ainda assisti á
discussão de uma vizinha com a filha da senhoria. Como me sentia mesmo mal, acabei por sair à procura de uma farmácia
de serviço. NADA!
PEP tinha-se tornado um monstro bem pior do que eu tinha imaginado... cheguei a passar 3 semanas com um problema. A ler todos os livros recomendados para a resolução do problema. A
adormecer em cima dos livros e quando acordava muitas vezes deitava
fora as tentativas infrutíferas do dia anterior ( foi assim que perdi o meu BI...)
A certa altura.. passei numa tabacaria e comprei alguns livros de
Banda desenhada. Eu precisava de me distrair. Já só via PEP à frente... e o pior de tudo é que via aquilo mas aquilo não me dizia nada.
Passei PEP com um 10 que na realidade era um 8 (custava assim
tanto ter-me chumbado?).
Passei ANED com 12. Esta deixou-me com um amargo de boca porque se eu tivesse largado PEP tinha conseguido boa nota nesta e a Matrizes.
Matrizes tive 7. Ao estudar Matrizes percebi que a minha álgebra estava muito enferrujada e acabei por comprar mais algumas edições de livros da área da álgebra. Muitas vezes o meu estudo era estar parado a olhar para o vazio a tentar fazer jogos e a ligar o que tinha lido de manhã com o que tinha acabado de ler/escrever... e quando entrava em ciclos viciosos, lá estava
o meu livro de BD. Nem sempre a melhor forma de estudo envolve papel e lápis. As coisas têm de ser compreendidas... e se tiverem de levar horas de reflexão.. que levem. Eu já não sou o jovem que era há 10 anos.
Não me critiquem se os meus métodos de estudo são diferentes.
Não foi por eles que eu chumbei... Foi por eles que eu não tive piores notas.
A ideia era estudar calmamente... E tentar encontrar um buraco nos
regulamentos da FCUL que me deixassem fazer Matrizes e Elementos
Finitos em Setembro.
O meu pesadelo começou com uma carta das finanças
com uma multa de 124€. O problema nem era a multa. Era o
conteúdo da carta que me fez entrar em pânico. Aqueles
sacanas sem terem consciência disso apenas ameaçavam dar
cabo de toda a minha vida!
Enfim... felizmente tive algumas ideias que me resolveram mais ou
menos o problema. Gostava de ter mais ideias destas.
Provavelmente
ainda vou receber uma nova carta das finanças a dizer que os
tipos querem fiscalizar-me... que fiscalizem. Não tenho nada a
esconder. Mas por favor escolham bem a altura...
Agora estou estafado. Não sei se deva meter-me num avião
e ir 2 semanas à Madeira (desistindo de Setembro?)
Mas
como este mestrado está a correr-me mal e era hipótese
única para mim... o que é que vou fazer quando e se o
acabar? Não quero voltar ao exílio... e recuso-me a
voltar a trabalhar em informática.